Governo brasileiro busca alternativas em meio a impasse tarifário com os EUA; centralização de decisões dificulta acordo

Reunião sobre tarifas
Créditos : G1O governo Lula enfrenta um cenário desafiador nas negociações com a administração Donald Trump, em um momento crucial que antecede a imposição de novas tarifas sobre produtos importados. A equipe brasileira busca alternativas para mitigar o impacto das medidas que devem ser anunciadas pelo governo americano.

Fontes do Itamaraty, da Secretaria de Comunicação (Secom) e da assessoria internacional do Planalto revelam que as decisões tarifárias estão sendo tomadas de forma centralizada na Casa Branca. Donald Trump e seu círculo próximo conduzem as negociações com pouca influência de seus assessores diretos, incluindo o representante comercial, Jamieson Greer, e o secretário de Comércio, Howard Lutnick.

Diplomatas brasileiros expressam preocupação com a falta de acesso às informações sobre as decisões iminentes, dificultando um diálogo estruturado. A centralização excessiva no processo decisório dificulta as negociações, uma vez que os interlocutores americanos parecem ter poder de decisão limitado, sujeitos à desautorização por parte de Trump.

A percepção no Itamaraty é que Lutnick demonstra total subserviência a Trump, o que prejudica o progresso nas discussões com o Departamento de Comércio. A avaliação sobre Jamieson Greer é ligeiramente mais favorável.

O chanceler Mauro Vieira tentou estabelecer contato com o Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR), porém, a conversa não se concretizou. O embaixador Mauricio Lyrio, secretário de Assuntos Econômicos e Financeiros do Itamaraty, viajou a Washington para buscar avanços, reunindo-se com representantes do Departamento de Comércio, do USTR, empresários da Câmara de Comércio, o sherpa americano do G20 e parlamentares republicanos.

O governo brasileiro tem enfatizado um argumento central nas negociações: “O Brasil não é um problema para os Estados Unidos”. Lyrio apresentou dados que demonstram que os EUA possuem com o Brasil o terceiro maior superávit comercial em bens e serviços. Diplomatas têm recorrido ao ditado americano “If it ain’t broke, don’t fix it” para ilustrar a posição do Brasil.

Uma questão sensível é a reclamação americana sobre o protecionismo brasileiro no setor de etanol. O governo brasileiro acredita que as pressões emanam de lobbies de produtores de etanol de milho no Meio-Oeste americano, uma região crucial para a base eleitoral de Trump.

Internamente, o governo Lula considera que o projeto de lei da reciprocidade é um fator positivo, estabelecendo um marco legal para lidar com questões tarifárias e fortalecendo a posição do Brasil nas negociações. Desde o início da crise comercial, o Planalto tem defendido o envolvimento do Congresso, uma estratégia considerada fundamental pela diplomacia brasileira desde o primeiro anúncio de tarifas por Trump.

O governo reconhece a necessidade de medidas de reciprocidade como uma carta na manga, mas acredita que ainda há tempo para negociação antes que qualquer tarifa entre em vigor. Um auxiliar de Lula enfatiza que “as portas ainda estão abertas”, reforçando que não há um prazo definido para o término das negociações.

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