Investidores da Eagle Football Holding assumem o controle da empresa, afastando John Textor da gestão e investigando suas contas no Botafogo. A medida visa reestruturar a empresa e garantir a sustentabilidade dos clubes sob sua responsabilidade.

Uma reviravolta na administração da Eagle Football Holding, empresa detentora do Botafogo, marca o afastamento de John Textor da gestão operacional. Outros sócios e investidores, buscando reestruturar a empresa, assumiram o controle, dando início a uma profunda investigação das finanças sob a responsabilidade do empresário norte-americano. Apesar de permanecer como sócio majoritário, Textor perdeu a autonomia sobre as decisões do grupo, inclusive em relação ao clube carioca, ainda que mantenha influência sobre o Lyon.
A nova liderança da Eagle é composta por representantes da Ares e da Iconic Sports, empresas que injetaram cerca de R$ 600 milhões na MCO (Multi Club Ownership), entre empréstimos e investimentos. O aporte financeiro teve como objetivo principal o resgate do Lyon, clube francês que também enfrenta dificuldades financeiras. A união desses investidores sinaliza um esforço conjunto para revitalizar a MCO e garantir a sustentabilidade de seus clubes.
Embora Textor continue formalmente como acionista majoritário da Eagle Holding, sediada no Reino Unido, a preocupação com sua saúde financeira o levou a um acordo para se afastar da gestão em abril. Atualmente, o Conselho da empresa é composto por representantes dos demais sócios, que buscam regularizar as contas e implementar práticas de gestão mais transparentes. A assessoria de Textor nega a perda de controle, afirmando que ele mantém a maioria no Conselho Administrativo.
A investigação conduzida pelos investidores revelou diversas irregularidades na gestão de Textor, tanto na Eagle Holding quanto nos clubes sob sua responsabilidade. Na Holding, a falta de apresentação das contas no Reino Unido, após um ano e meio do prazo, coloca a empresa em risco de extinção. Nos clubes, foram identificados casos de comprometimento de receitas futuras, principalmente de televisão, e investigações sobre transações de jogadores, com indícios de cessão de receitas repetidas vezes.
A situação no Lyon já havia alertado os investidores sobre a necessidade de uma mudança na gestão. Sob pressão do DNGC, órgão regulador da França, Textor foi afastado, e os sócios assumiram o controle para evitar o rebaixamento do clube. Os planos financeiros do empresário norte-americano foram considerados inconsistentes, e a Ares, a Iconic e outros acionistas investiram mais de 89 milhões de euros para salvar o clube. Textor não contribuiu financeiramente para essa operação.
Os investidores temem que problemas semelhantes estejam ocorrendo no Botafogo, com dívidas crescentes e comprometimento de receitas futuras. A falta de transparência na gestão dificulta a análise da situação financeira do clube, que ainda não publicou seu balanço, como previsto em lei. A assessoria de Textor nega que o acesso às informações financeiras do Botafogo tenha sido negado.
Um dos casos que chama a atenção é a compra de Thiago Almada pelo Atlanta United, na qual o Botafogo não efetuou o pagamento de US$ 21 milhões. A FIFA condenou o clube ao pagamento integral, mas o Botafogo recorreu. Empresários também alegam não receber comissões do clube. Em meio a esse cenário, Textor propôs aos investidores a compra do Botafogo para transferi-lo para uma empresa nas Ilhas Cayman. A proposta foi avaliada, mas os investidores exigiram o afastamento de Textor da gestão para evitar conflitos de interesse. Ele se recusou, com o apoio do Botafogo associativo.
Diante desse impasse, os investidores consideram improvável a venda do Botafogo para Textor enquanto ele estiver à frente da gestão. O objetivo é entender as contas do clube e estabelecer uma relação próxima com o Botafogo associação, reconhecendo a importância do clube e de sua torcida engajada. No momento, Textor conta com o apoio da torcida, da associação e de executivos, principalmente pelos títulos conquistados.
O futuro do Botafogo SAF permanece incerto, com Textor apostando em uma negociação para comprar o clube e buscando recursos junto a investidores como Evangelos Marinakis, dono de clubes como o Nottingham Forest. Internamente, a gestão do Botafogo SAF conta com o apoio da associação para bloquear tentativas de intervenção. A defesa de Textor é que o Botafogo gera recursos significativos e financia as perdas operacionais do Lyon, refutando as notícias de que o clube francês financiou os títulos do Botafogo.
Na Justiça dos EUA, Textor perdeu a primeira batalha contra a Iconic Sports, que busca tomar todas as ações da Eagle Holding para recuperar seu investimento de US$ 94 milhões. A Justiça negou uma liminar ao empresário norte-americano para bloquear a tentativa da Iconic de controlar a Eagle. A questão deve ser decidida na Justiça do Reino Unido.



