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Créditos : G1
A administração Trump, ironicamente, promoveu uma aliança improvável no cenário político brasileiro. Esquerda, direita, o governo Lula e figuras do bolsonarismo, como a senadora Tereza Cristina (PP-MS), uniram forças para aprovar legislação que faculta ao Brasil a imposição de retaliações comerciais aos Estados Unidos.
A medida surge em resposta à ameaça de sobretaxas por parte do governo americano, com o projeto de lei agora encaminhado para apreciação na Câmara dos Deputados, salvo recurso para votação em plenário do Senado.
O Presidente Lula tem reiterado a necessidade de reciprocidade em situações como essa, defendendo que o Brasil responda com medidas equivalentes.
As tarifas americanas já estão em vigor desde 12 de março, com um aumento de 25% sobre a importação de aço e alumínio, afetando significativamente o setor siderúrgico. O Brasil é o segundo maior exportador de aço para os EUA, conforme dados do Departamento de Comércio americano.
A iniciativa no Senado demonstra uma rara convergência entre o Partido dos Trabalhadores (PT) e o setor do agronegócio, tradicionalmente alinhado ao ex-presidente Bolsonaro. A senadora Tereza Cristina, ex-ministra da Agricultura no governo Bolsonaro e integrante da Frente Parlamentar da Agropecuária, foi a relatora do projeto, aprovado na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado.
Randolfe Rodrigues (PT-AP), líder do governo no Congresso, confirmou o apoio, comentando em tom de brincadeira com um senador da oposição: “Não se preocupe! Esta é a nossa aliança com o agro.”
O projeto de lei concede ao Poder Executivo a autoridade para implementar contramedidas contra barreiras comerciais ou legais impostas a produtos brasileiros. Dentre as possíveis ações, está a sobretaxação de importações provenientes de países ou blocos econômicos que adotem medidas retaliatórias contra o Brasil, como os Estados Unidos.
A adesão massiva ao projeto, unindo governo e oposição, foi justificada como uma demonstração de defesa da soberania brasileira no contexto do comércio global, segundo Randolfe Rodrigues.