A Justiça do Rio de Janeiro emitiu uma liminar que abre a possibilidade de o clássico entre Vasco da Gama e Flamengo, válido pelo Campeonato Brasileiro, ser disputado no estádio de São Januário. A partida está agendada para o dia 19. A decisão judicial contrapõe o veto anteriormente imposto pelo Batalhão Especializado de Policiamento em Estádios (Bepe).
A juíza Regina Lúcia Chuquer de Almeida Costa de Castro Lima, responsável pela decisão, justificou sua escolha mencionando a postura do Bepe. Segundo a juíza, a corporação optou por uma solução mais simples, evitando o emprego total de seus recursos no serviço de segurança, o que demonstra uma aparente falta de compromisso com a eficiência exigida da instituição.
A recusa do Bepe em autorizar a realização da partida em São Januário baseou-se em uma análise de riscos que apontou para possíveis problemas de segurança tanto no perímetro quanto no interior do estádio durante jogos de grande magnitude como este. O pedido inicial do Vasco foi vetado na semana anterior, gerando controvérsia entre os torcedores e a diretoria do clube.
A liminar foi resultado de uma ação popular movida por Pedro de Menezes Reis e Marcus Vinicius Reis. Embora o Vasco ainda não tenha sido oficialmente notificado, a decisão judicial transfere para a diretoria do clube a responsabilidade final sobre o local da partida.
No ofício enviado às autoridades, o Vasco solicitou a autorização em “caráter excepcional”, reconhecendo a ausência de um laudo favorável que permitisse a realização do jogo em São Januário. O veto anterior, inclusive, baseou-se nesse mesmo documento.
A decisão judicial permite que o Vasco jogue em seu estádio com a presença de sua torcida, independentemente de qualquer avaliação prévia. No entanto, a presença da torcida adversária dependerá de uma avaliação técnica específica e devidamente fundamentada. A alegação de impossibilidade de garantir a segurança dos visitantes não impede a realização do evento em São Januário, caso a diretoria do Vasco assim o deseje.
A Justiça argumenta que eventos com torcida única são comuns em outros estados do Brasil, inclusive na Região Sudeste, onde está localizada a arena esportiva em questão. Essa prática demonstra que é possível realizar jogos com segurança, mesmo sem a presença da torcida adversária.
A possibilidade de o Vasco mandar o clássico no Maracanã foi descartada devido ao modelo de gestão do estádio, que é atualmente controlado pela dupla Fla-Flu. Durante o Campeonato Carioca, o Vasco alegou que, mesmo sendo o mandante, não teria direito aos lucros obtidos com bares, estacionamento e camarotes, que seriam destinados ao consórcio responsável pela administração do Maracanã.
Além disso, o Vasco não pode mais mudar o local da partida para outro estado, pois o regulamento estabelece um prazo de 20 dias úteis de antecedência para tal solicitação, exigindo a aprovação das federações envolvidas e o aval da Diretoria de Competições da CBF (DCO).



