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Créditos: G1
A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) deu início à sessão de análise da denúncia contra o ex-presidente Jair Bolsonaro e outros sete indivíduos, acusados de participação em uma suposta tentativa de golpe de Estado ocorrida em 2022. A sessão, marcada por intensos debates, foca em determinar se a denúncia será formalmente aceita, dando início a uma ação penal.
O advogado Celso Vilardi, representando Bolsonaro, argumentou que as extensivas investigações conduzidas contra o ex-presidente não produziram evidências concretas que o incriminassem. Vilardi enfatizou que Bolsonaro foi submetido ao escrutínio mais rigoroso já enfrentado por um presidente no país, sem que se encontrasse qualquer prova de sua participação em atos ilícitos. A defesa solicitou, portanto, a rejeição da denúncia.
A sessão teve início com a apresentação do relatório elaborado pelo Ministro Alexandre de Moraes, seguido pelo posicionamento da Procuradoria-Geral da República (PGR). Posteriormente, os advogados dos acusados tiveram a oportunidade de apresentar seus argumentos perante o STF, com um limite de tempo de 15 minutos para cada um.
Vilardi destacou que as investigações contra Bolsonaro se iniciaram com o objetivo de apurar declarações feitas em uma live de agosto de 2021, expandindo-se para examinar gastos com cartões corporativos, emendas parlamentares e até questões relacionadas à vacinação. Segundo o advogado, a colaboração premiada do ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, Mauro Cid, foi resultado do inquérito sobre a vacina. No entanto, Vilardi questionou o que de fato foi encontrado contra o ex-presidente após todas essas investigações, afirmando que nada de substancial foi descoberto.
A defesa também minimizou a importância de um documento encontrado na sede do Partido Liberal (PL), argumentando que não havia nenhuma ligação direta com Bolsonaro. Vilardi questionou a viabilidade de acusar o ex-presidente de um crime contra o governo legitimamente eleito, uma vez que ele próprio era o chefe do executivo na época dos fatos. Além disso, argumentou que não houve violência ou grave ameaça nas ações atribuídas a Bolsonaro, elementos essenciais para configurar os crimes de que é acusado.
Após a apresentação dos argumentos das defesas, o Ministro Alexandre de Moraes dará início à votação sobre as questões preliminares levantadas, como a competência do colegiado para julgar o caso. Em seguida, os demais ministros da Turma apresentarão seus votos, culminando na decisão sobre o mérito da denúncia e a possível abertura de uma ação penal.
A denúncia contra Bolsonaro e seus aliados foi formalizada pela PGR em fevereiro, com base em investigações da Polícia Federal que apontam para a existência de uma organização criminosa voltada para a subversão da ordem democrática. Os acusados foram divididos em cinco grupos, de acordo com as acusações imputadas a cada um.
Os crimes imputados aos denunciados incluem abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, organização criminosa, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado. A PGR acusa Bolsonaro de liderar uma organização criminosa com um projeto autoritário de poder, contando com a participação de figuras-chave de seu governo e das Forças Armadas.
Segundo a acusação, o núcleo central da organização era composto por Bolsonaro, Alexandre Ramagem, Almir Garnier, Anderson Torres, Augusto Heleno, Paulo Sérgio Nogueira e Walter Souza Braga Netto, com Mauro Cid atuando como elo de ligação entre o ex-presidente e os demais membros do grupo. A PGR alega que a organização estava enraizada na estrutura do Estado e contava com forte influência de setores militares, operando de forma hierárquica e com divisão de tarefas bem definida.



