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Créditos : G1
A divulgação de uma estimativa de público de 400 mil pessoas no recente comício em Copacabana, realizado em apoio à anistia para o ex-presidente Jair Bolsonaro e seus aliados, gerou controvérsia e levanta questionamentos sobre a isenção da Polícia Militar do Rio de Janeiro (PMERJ) em eventos de natureza política. Tradicionalmente, a PMERJ se abstém de divulgar números de participantes em manifestações políticas, visando evitar interpretações tendenciosas ou acusações de favorecimento a determinados grupos. A quebra desse protocolo, neste caso específico, causou estranheza e motivou investigações internas para apurar as circunstâncias que levaram à divulgação da estimativa.
A publicação da PMERJ foi amplamente divulgada por figuras proeminentes do bolsonarismo, como o pastor Silas Malafaia e o senador Flávio Bolsonaro, que a utilizaram como argumento para demonstrar o suposto sucesso e a expressiva adesão popular ao evento. A estimativa, no entanto, diverge significativamente de outros levantamentos, como o realizado pela Universidade de São Paulo (USP), que apontou para um público de aproximadamente 18 mil pessoas no auge da manifestação.
Fontes internas revelaram que a ordem para divulgar a estimativa de 400 mil pessoas partiu diretamente do Palácio Guanabara, sede do governo estadual. O governador Cláudio Castro, por sua vez, nega qualquer tipo de interferência na divulgação dos números, afirmando que o cálculo foi realizado exclusivamente pela Polícia Militar, com base em critérios técnicos e metodologias próprias.
Em nota oficial, a assessoria do governador declarou: “O governador Cláudio Castro nega qualquer tipo de interferência na divulgação da estimativa de público presente em Copacabana na manhã deste último domingo. O cálculo foi realizado pela Polícia Militar, que já fez esse tipo de divulgação em eventos anteriores”.
Contudo, informações obtidas pelo blog indicam que o governador teria entrado em contato com o comandante da PMERJ, Coronel Menezes, que inicialmente estimou o público em 50 mil pessoas. Em seguida, Castro teria ordenado a divulgação do número de 400 mil, sob alegação de que a manifestação necessitava de uma narrativa mais robusta e favorável.
Ainda segundo as fontes, o Coronel Menezes e outros oficiais da cúpula da PMERJ teriam demonstrado resistência à ordem, argumentando que a estimativa era irreal e não correspondia à quantidade de pessoas presentes no local. No entanto, a ordem do Palácio foi cumprida, e a instituição divulgou o número em seu perfil oficial na rede social X (antigo Twitter).
A metodologia utilizada pela Polícia Militar para calcular multidões é considerada imprecisa e sujeita a distorções. Em geral, para planejar o policiamento de grandes eventos, como réveillon, carnaval e shows, a PMERJ utiliza dados históricos e superestima a previsão de público, visando garantir a segurança e a ordem pública. No entanto, essa tática não justifica a discrepância entre a estimativa divulgada e as demais avaliações, especialmente considerando que a divulgação não tinha como objetivo embasar nenhum planejamento operacional.
A divergência de números e as denúncias de interferência política levantam sérias questões sobre a imparcialidade da Polícia Militar e o uso de informações oficiais para fins políticos. A controvérsia em torno da estimativa de público no comício pró-Bolsonaro expõe a fragilidade das instituições e a necessidade de mecanismos de controle e transparência para garantir a credibilidade das informações divulgadas à sociedade.




