O documentário ‘Apocalipse nos Trópicos’, de Petra Costa, investiga a crescente influência da fé evangélica na política brasileira e suas implicações para a democracia, questionando a separação entre Igreja e Estado e incentivando o debate crítico sobre a relação entre poder e fé.

O novo documentário de Petra Costa, ‘Apocalipse nos Trópicos’, mergulha na complexa relação entre poder e fé no Brasil, um tema que ganha contornos cada vez mais relevantes no cenário político contemporâneo. O filme, que teve sua estreia mundial no Festival de Veneza em setembro de 2024, busca entender o crescimento da influência evangélica na política brasileira e suas possíveis implicações para a democracia.
Uma das cenas marcantes do documentário apresenta uma entrevista com o deputado e pastor Cabo Daciolo, que, durante as filmagens de ‘Democracia em Vertigem’, abençoava a bancada do Congresso Nacional com seus assistentes. Daciolo argumenta que o Brasil vive um momento inédito, onde a ‘guerra’ não é contra homens, mas sim espiritual, com a presença de Jesus na busca pela vitória. Essa cena ilustra a crescente influência da fé evangélica na política brasileira, um fenômeno que tem transformado o panorama político do país.
O documentário investiga o crescimento exponencial dos evangélicos no Brasil, que saltaram de 5% para 30% da população nos últimos 40 anos. Esse crescimento se reflete no aumento do número de evangélicos ocupando cargos políticos em todas as esferas do governo. ‘Apocalipse nos Trópicos’ busca entender as origens desse fenômeno e suas possíveis consequências para o futuro da nação.
Petra Costa ressalta a importância de discutir a relação entre fé e poder, especialmente em um contexto em que a separação entre Igreja e Estado está sendo questionada. A cineasta questiona o interesse dos evangélicos pela política, seus planos de poder e suas interpretações do Apocalipse. Ela argumenta que é fundamental analisar como a fé afeta a política e como a religião pode ser instrumentalizada para fins políticos.
A diretora observa que, ao longo das últimas décadas, houve duas posturas em relação ao crescimento evangélico no Brasil: a crítica e o silêncio. No entanto, ela argumenta que é preciso discutir abertamente o tema, especialmente quando a religião começa a abalar um dos pilares da democracia, que é a separação entre Igreja e Estado. Petra Costa defende que a discussão é essencial para evitar que seja tarde demais para abordar um assunto que diz respeito a todos os cidadãos.
Para realizar ‘Apocalipse nos Trópicos’, Petra Costa sentiu a necessidade de estudar a história da fé cristã, especialmente a evangélica, a Bíblia e o próprio Apocalipse. Ela buscou entender esse universo não apenas sob uma perspectiva religiosa, mas também histórica e sociopolítica. O filme apresenta depoimentos de figuras como Daciolo, Silas Malafaia, Jair Bolsonaro e Lula, além de uma análise histórica das diversas interpretações do Apocalipse.
O documentário destaca o papel de Silas Malafaia, um dos líderes religiosos mais influentes do Brasil, que comanda cultos com forte apelo político. Malafaia defende a participação dos evangélicos na política, argumentando que a política é um assunto de interesse do povo de Deus. ‘Apocalipse nos Trópicos’ explora a interseção entre fé e plano de poder, mostrando como líderes religiosos buscam influenciar a política e como políticos buscam apoio em bases religiosas.
Petra Costa e sua equipe ressaltam que o documentário não busca generalizar sobre o universo evangélico, mas sim analisar a interseção entre poder e fé, e como essa relação afeta a essência da religião. A cineasta questiona quem realmente se beneficia com a aproximação entre poder e fé em todo o mundo, convidando os espectadores a refletirem sobre o tema com senso crítico.
O filme aborda a influência crescente da fé evangélica na política brasileira. Analisa a relação entre líderes religiosos e políticos. Questiona a separação entre Igreja e Estado no Brasil. Examina as interpretações do Apocalipse e seu impacto na sociedade. Incentiva o debate crítico sobre a relação entre poder e fé.




