Em uma rara demonstração de descontentamento, o ex-capitão do tetra e ex-técnico da Seleção Brasileira, Dunga, expressou certas reservas quanto à forma como Tite assumiu o comando da seleção, substituindo-o. Em entrevista exclusiva ao UOL, concedida antes da confirmação de Dorival Júnior, Dunga também compartilhou suas opiniões sobre a crescente presença de técnicos estrangeiros no futebol brasileiro.
Segundo o ex-volante, a busca por técnicos estrangeiros se tornou uma espécie de ‘bengala’ para os dirigentes em momentos de crise ou necessidade de mudança. Ele observa que a CBF, inclusive, prioriza uma lista de estrangeiros na busca por um novo técnico para a seleção. Durante a entrevista, Dunga refletiu sobre sua carreira, tanto como jogador quanto como treinador, e avaliou seu desempenho à frente da seleção brasileira.
Ele destacou suas conquistas, como a Copa América, a Copa das Confederações e a classificação antecipada para a Copa do Mundo, além da medalha de bronze nas Olimpíadas, que considera seu melhor trabalho na seleção. No entanto, Dunga também lamentou a falta de reconhecimento por esse último feito, atribuindo-o às dificuldades enfrentadas na montagem do time em um curto período de tempo e às interferências externas que prejudicaram a preparação da equipe.
Questionado sobre os motivos de sua saída da seleção após a eliminação na Copa América de 2016, Dunga atribuiu a decisão a fatores políticos e à pressão da imprensa, que, segundo ele, fez campanha pela sua substituição. Ele criticou a postura de Tite, que, em sua opinião, se autopromoveu para o cargo, buscando o apoio da mídia e exaltando suas qualificações.
Dunga também questionou a valorização excessiva dos técnicos estrangeiros no Brasil, argumentando que muitos treinadores brasileiros também obtiveram sucesso no país. Ele defendeu a importância de analisar os resultados e o legado deixado pelos estrangeiros, ressaltando que eles devem fazer a diferença e contribuir para o desenvolvimento do futebol brasileiro. O ex-técnico criticou a disparidade de tratamento entre treinadores brasileiros e estrangeiros, afirmando que os estrangeiros são frequentemente elogiados mesmo em caso de vice-campeonatos ou campanhas modestas, enquanto os brasileiros são duramente criticados nas mesmas situações.
Para Dunga, o futebol brasileiro precisa aprender a valorizar seus profissionais e a reconhecer seus méritos. Ao comentar sobre o ciclo de Tite à frente da seleção, Dunga reconheceu seus méritos, mas ressaltou que os resultados negativos também são de sua responsabilidade. Ele defendeu a necessidade de elogiar os profissionais do futebol e de dar a cada um a oportunidade de mostrar seu valor, sem expor ou prejudicar quem está no momento.
A entrevista completa com Dunga foi realizada em dezembro de 2024, por ocasião do lançamento de uma série documental sobre sua carreira, produzida em parceria entre o SporTV e a Pindorama Filmes.



