Especialista aponta falha de guia em trilha na Indonésia e enaltece preparo de brasileira acidentada

A montanhista Aretha Duarte critica a conduta do guia que deixou Juliana Marins sozinha durante trilha na Indonésia, apesar do planejamento prévio da brasileira. As buscas continuam em meio a dificuldades climáticas e geográficas, enquanto a família cobra agilidade das autoridades.

Juliana Marins em trilha na Indonésia
Créditos: G1

A experiente montanhista Aretha Duarte, pioneira latino-americana negra a alcançar o cume do Monte Everest, teceu comentários sobre o caso de Juliana Marins, a jovem brasileira de 26 anos que se encontra em situação delicada em um penhasco no Monte Rinjani, Indonésia. Duarte enfatizou que Marins demonstrou diligência e responsabilidade ao planejar sua expedição. Em análise à situação, Duarte argumenta que Juliana não cometeu imprudências, tendo tomado as precauções cabíveis ao contratar uma agência especializada e um guia local. A montanhista levanta a hipótese de falha na condução do grupo por parte do guia, uma vez que relatos da família de Juliana indicam que ele a teria deixado sozinha por cerca de uma hora.

Em declarações ao G1, Aretha defende o direito de mulheres viajarem sozinhas e perseguirem seus objetivos, ressaltando que tal atitude representa um símbolo de liberdade e independência. Ela enfatiza a importância de que mulheres se sintam encorajadas a realizar as viagens que desejarem. A especialista aponta que um erro comum em trilhas desse tipo é a ausência de acompanhamento profissional adequado. No entanto, ela destaca que Juliana buscou justamente esse suporte ao contratar uma agência e um guia, esperando receber orientações e apoio de profissionais experientes e qualificados para garantir sua segurança.

Juliana sofreu a queda no sábado (21), após se distanciar do grupo durante uma pausa solicitada ao guia. Mariana Marins, irmã de Juliana, detalhou o acidente em redes sociais, informando que Juliana havia manifestado cansaço no segundo dia de trilha. Apesar de ter sido localizada por drones, as operações de resgate enfrentam obstáculos significativos devido à densa neblina e ao terreno acidentado. A jovem permanece presa em uma parede rochosa, sem acesso a água, comida ou abrigo.

Aretha critica a atitude do guia que, apesar do planejamento prévio de Juliana, a deixou sozinha em uma área de visibilidade limitada e terreno instável. Segundo a montanhista, o guia deveria ter mantido o grupo coeso, garantindo que todos permanecessem em contato visual e sob sua orientação, dada sua experiência. Duarte reconhece que é comum haver diferenças de ritmo em trilhas de alta dificuldade, mas reitera que é responsabilidade do guia assegurar a união do grupo. A família de Juliana informou que as buscas foram retomadas no início da noite de segunda-feira (23) no Brasil, correspondente ao início da manhã na Indonésia, com condições climáticas favoráveis.

Juliana permaneceu desaparecida por mais de 24 horas, e as buscas já duram quatro dias. Aretha critica a lentidão e a falta de organização nas operações de resgate, cobrando responsabilidade da agência contratada por Juliana, enfatizando a importância de que a agência assuma as demandas referentes ao acidente de forma imediata. Apesar da gravidade da situação, Aretha, que alcançou o cume do Monte Kilimanjaro em 2024, expressa seu apoio à família de Juliana e manifesta esperança de que ela seja resgatada com vida. A profissional destaca a coragem de Juliana e a importância de seu salvamento para o país, incentivando a mobilização de pessoas e autoridades para que o resgate seja bem-sucedido.

Juliana Marins, natural de Niterói (RJ), está viajando pela Ásia desde fevereiro, tendo passado por Filipinas, Vietnã e Tailândia antes de chegar à Indonésia. A família continua a cobrar agilidade das autoridades locais e brasileiras para a conclusão do resgate.

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