Agências da ONU e organizações humanitárias soam o alarme sobre a iminente falta de alimentos terapêuticos em Gaza, cruciais para salvar vidas de crianças gravemente desnutridas. A situação se agrava com o esgotamento dos estoques e restrições na entrada de ajuda humanitária, colocando em risco programas de prevenção da desnutrição e aumentando o número de mortes relacionadas à fome.
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Créditos : Agencia Brasil
A Faixa de Gaza enfrenta uma situação alarmante com a iminente escassez de alimentos terapêuticos especializados, vitais para a sobrevivência de crianças severamente afetadas pela desnutrição. O alerta foi emitido pela Organização das Nações Unidas (ONU) e diversas agências humanitárias, que expressam profunda preocupação com a rapidez com que os suprimentos estão se esgotando.
Salim Oweis, porta-voz do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) em Amã, na Jordânia, declarou à Reuters que a situação é crítica, com o suprimento de alimentos terapêuticos chegando ao limite. O Alimento Terapêutico Pronto para Uso (RUTF), tratamento essencial para crianças desnutridas, deve se esgotar em meados de agosto, caso não haja uma intervenção imediata.
“Isso representa um perigo real para as crianças, que já enfrentam a fome e a desnutrição”, enfatizou Oweis. O Unicef dispõe de RUTF suficiente para tratar apenas 3 mil crianças, enquanto somente nas duas primeiras semanas de julho, a organização já havia tratado 5 mil casos de desnutrição aguda em Gaza. A urgência da situação exige medidas imediatas para evitar uma catástrofe humanitária.
Os suprimentos de RUTF, ricos em nutrientes e com alto teor calórico, são fundamentais para o tratamento da desnutrição grave, incluindo biscoitos de alta energia e pasta de amendoim enriquecida com leite em pó. A falta desses alimentos essenciais compromete diretamente a recuperação das crianças afetadas e aumenta o risco de complicações de saúde a longo prazo.
Outro porta-voz da Organização Mundial da Saúde (OMS) informou que a maioria dos suprimentos para o tratamento da desnutrição já foi consumida, e o restante nos estoques se esgotará em breve, caso não haja reposição imediata. A OMS também alertou que o programa em Gaza, que visa prevenir a desnutrição entre os mais vulneráveis, como mulheres grávidas e crianças menores de cinco anos, pode ser interrompido devido à falta de suplementos.
A situação se agrava desde que Israel, em conflito com o grupo militante palestino Hamas desde outubro de 2023, interrompeu o fornecimento de suprimentos para o território em março. Embora o bloqueio tenha sido suspenso em maio, as restrições impostas por Israel, justificadas como medidas necessárias para evitar o desvio de ajuda para grupos militantes, têm dificultado a chegada da assistência humanitária necessária.
Agências internacionais de ajuda humanitária relatam que apenas uma pequena parcela do que é necessário, incluindo medicamentos, está chegando à população de Gaza. Israel afirma estar comprometido em permitir a entrada de ajuda, mas alega que precisa controlá-la para evitar o desvio por militantes. O governo israelense argumenta que permitiu a entrada de alimentos suficientes em Gaza durante o conflito e responsabiliza o Hamas pelo sofrimento dos 2,2 milhões de habitantes da região.
Em resposta à escassez de RUTF, a agência israelense de coordenação de ajuda militar (Cogat) informou que está trabalhando com organizações internacionais para melhorar a distribuição de ajuda a partir das passagens de fronteira, onde centenas de caminhões de ajuda estão aguardando. No entanto, a situação no terreno continua crítica, com a falta de suprimentos essenciais afetando diretamente a saúde e o bem-estar das crianças em Gaza.
A Save the Children, que administra uma clínica que tem tratado um número crescente de crianças desnutridas na região central de Gaza, relata que não consegue levar seus próprios suprimentos desde fevereiro e depende das entregas da ONU. Alexandra Saieh, Diretora Global de Política Humanitária e Advocacia da ONG, expressou preocupação com o impacto da falta de suprimentos nos parceiros do Unicef e outras organizações que dependem deles para atender às crianças.
O Unicef informou que, de abril a meados de julho, 20.504 crianças foram internadas com desnutrição aguda. Desses pacientes, 3.247 sofrem de desnutrição aguda grave, quase o triplo do número registrado nos primeiros três meses do ano. A desnutrição aguda grave pode levar à morte e a problemas de saúde de longo prazo, incluindo comprometimento físico e mental nas crianças que sobrevivem.
A OMS informou que 21 crianças menores de cinco anos de idade estão entre as que morreram de desnutrição até agora neste ano. O Ministério da Saúde de Gaza reportou a morte de mais dois palestinos por fome durante a noite, elevando o número total de mortes por fome para 113, a maioria delas na última semana, quando uma onda de fome assolou o enclave palestino. A situação exige uma resposta urgente e coordenada para evitar mais perdas de vidas e garantir o acesso a alimentos e cuidados de saúde para a população de Gaza.




