Guerra em Gaza: Expansão da ofensiva israelense gera onda de críticas internacionais e internas

O governo israelense enfrenta crescente oposição interna e externa devido aos planos de expansão da ofensiva na Faixa de Gaza, com preocupações sobre o impacto humanitário e a escalada do conflito.

Expansão da ofensiva em Gaza
Créditos: G1

A administração de Benjamin Netanyahu, em Israel, está sob escrutínio intenso em decorrência de sua estratégia de ampliar o controle sobre a Faixa de Gaza. A decisão, sancionada pelo gabinete israelense, suscita debates acalorados tanto em território nacional quanto na comunidade internacional, marcando um ponto crítico nas tensões geopolíticas da região. O plano aprovado implica a ocupação da Cidade de Gaza, um centro urbano vital que abriga aproximadamente um milhão de palestinos. Embora o governo israelense assegure que a operação incluirá o fornecimento de assistência humanitária, pairam dúvidas substanciais sobre o potencial para um novo êxodo em massa da população civil.

A reação global não tardou. O governo do Reino Unido expressou sua discordância, classificando a expansão da ofensiva como um equívoco e instando Israel a reconsiderar a medida com urgência. A China manifestou ‘profunda preocupação’, enquanto a Turquia condenou a decisão de forma veemente, enfatizando a necessidade de Israel cessar as hostilidades, aderir a um cessar-fogo e buscar uma solução de dois estados por meio de negociações.

Volker Turk, chefe de Direitos Humanos da ONU, alertou que a nova estratégia israelense pode agravar a crise humanitária, resultando em mais mortes e sofrimento. Ele ressaltou que a medida contradiz a determinação da Corte Internacional de Justiça, que exige o fim da ocupação israelense em Gaza o mais rápido possível. Turk enfatizou a urgência da situação, declarando: ‘Essa escalada só levará a mais deslocamentos forçados, mais mortes, mais sofrimento insuportável, destruição sem sentido e crimes terríveis. Em vez de intensificar essa guerra, o governo israelense deve concentrar todos os seus esforços em salvar vidas de civis em Gaza, permitindo o fluxo total e sem restrições de ajuda humanitária. Os reféns devem ser libertados de forma imediata e incondicional pelos grupos armados palestinos’.

A Alemanha se juntou ao coro de preocupações, anunciando que suspenderá as exportações de equipamentos militares para Israel até nova ordem, devido ao crescente pessimismo em relação a uma resolução pacífica do conflito. Contudo, o governo alemão reafirmou o direito de Israel de se defender contra o Hamas.

Dentro de Israel, a controvérsia também se intensifica. Familiares de reféns e outros cidadãos realizaram protestos em frente à sede do governo, exigindo o retorno imediato dos reféns detidos pelo Hamas em Gaza. Em Tel Aviv, a polícia reprimiu os manifestantes com balas de borracha e bombas de efeito moral. Estima-se que ainda haja cerca de 50 reféns israelenses em poder do Hamas, dos quais Israel acredita que aproximadamente 20 estejam vivos.

Altos oficiais do Exército israelense expressaram preocupações sobre os riscos da ofensiva expandida, temendo um aumento no número de mortes e perigos para as tropas. Eyal Zamir, comandante das Forças Armadas, manifestou sua oposição ao plano, argumentando que ele representa um risco para a vida dos reféns israelenses. Zamir também alertou para o cansaço das tropas e o perigo de ficarem ‘presas’ em Gaza.

As divergências de opinião culminaram em um desentendimento entre Netanyahu e Zamir, segundo a mídia israelense. O general também se irritou com as acusações do filho do primeiro-ministro, que o acusou de incitar um motim contra o governo. Em resposta, o ministro da Defesa, Israel Katz, afirmou que o Exército ‘cumprirá’ todas as diretrizes do governo. Em entrevista à ‘Fox News’, Netanyahu confirmou os planos de ocupar toda a Faixa de Gaza ao final da guerra, mas negou a intenção de anexar o território, afirmando que o objetivo é estabelecer um ‘perímetro de segurança’.

A mídia israelense relata que a nova investida terá uma duração estimada de quatro a cinco meses, com foco na conquista de ‘novas e vastas’ áreas da Cidade de Gaza. A população local receberá ordens de evacuação, seguidas por operações militares com tanques de guerra em busca do Hamas, inclusive em campos de tendas de refugiados. A expansão da ofensiva ocorre após a divulgação de vídeos de reféns israelenses em estado esquelético, o que gerou indignação no governo israelense. Em um dos vídeos, um refém afirma ‘estar à beira da morte’, enquanto outro aparece cavando sua própria cova.

O gabinete de Netanyahu justificou a aprovação dos planos, afirmando que ‘a maioria absoluta dos ministros acreditava que o plano alternativo apresentado não alcançaria a derrota do Hamas nem o retorno dos reféns’. O governo israelense também divulgou cinco princípios para o fim da guerra, que não foram detalhados no comunicado.

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