Horror em Santa Catarina: Passageiros registram desespero em balão incendiado

Um trágico acidente com um balão de ar quente em Praia Grande, Santa Catarina, resultou em múltiplas fatalidades e feridos, expondo os riscos inerentes à prática do balonismo e levantando questões sobre a segurança e regulamentação da atividade na região.

Balão em chamas

Créditos: G1

Um incidente devastador envolvendo um balão de ar quente culminou na perda de oito vidas e deixou 13 pessoas feridas em Praia Grande, cidade localizada no sul de Santa Catarina. O sinistro ocorreu na manhã do último sábado, dia 21, e abalou profundamente a comunidade local e o país, dada a popularidade da região como destino turístico, notório por seus cânions e pela prática do balonismo. O grupo, composto por 20 turistas, embarcou em um voo panorâmico com duração prevista de 45 minutos. Contudo, a viagem tomou um rumo trágico poucos instantes após a decolagem, quando o balão foi repentinamente consumido por chamas. Imagens capturadas de dentro do balão, agora divulgadas, oferecem um vislumbre angustiante do início do voo e do momento em que os passageiros se deparam com o incêndio. As condições climáticas eram tidas como ideais para o voo: céu claro, ausência de vento e temperatura amena de 13 °C.

O material audiovisual registra as tentativas desesperadas dos ocupantes em controlar a situação. Vozes nervosas sugerem abafar as chamas com vestimentas, enquanto outros propõem lançar o cilindro para fora do balão. A tensão é palpável nas imagens, refletindo o pânico que tomou conta da aeronave. Sobreviventes descrevem cenas de pavor e os esforços frenéticos para extinguir o fogo. A Polícia Civil apurou que o incêndio teve origem em um maçarico presente no cesto do balão. As chamas se propagaram com rapidez, transformando o voo em uma luta pela sobrevivência.

O piloto, identificado como Elves de Bem Crescêncio e detentor de licença da ANAC para pilotar balões livres, tentou, sem sucesso, utilizar um extintor para conter as chamas. Diante da falha do equipamento, ele instruiu os passageiros a se abaixarem e saltarem do balão ao tocar o solo. Enquanto alguns passageiros conseguiram saltar durante a manobra de emergência, a redução do peso fez com que o balão voltasse a ascender rapidamente, levando consigo aqueles que não haviam conseguido escapar. Segundos depois, a estrutura em chamas se precipitou ao solo.

O trágico evento, com duração estimada de quatro minutos, resultou na morte de quatro pessoas que saltaram do balão e de outras quatro que foram carbonizadas. Victor Mondino e Lais Paes, um casal que estava a bordo, compartilharam relatos dos momentos de terror vividos durante o voo. Em depoimento, o piloto relatou ter tentado conter o fogo com os pés e com o extintor, além de ter acionado o serviço de emergência (190) e permanecido no local após o acidente para prestar auxílio às autoridades. Os cinco sobreviventes que foram hospitalizados já receberam alta médica.

Testemunhas relataram o choque ao presenciarem a cena. “Estamos acostumados a ver em filmes, mas não ao vivo”, disse uma pessoa. “Vai ser difícil esquecer”, acrescentou outra. Uma força-tarefa composta por mais de 130 agentes de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul participou das operações de resgate. Os voos de balão foram temporariamente suspensos na cidade. A empresa Sobrevoar, responsável pelo balão, emitiu uma nota afirmando que cumpre todas as normas da ANAC, lamentou o ocorrido e informou que está prestando assistência às famílias das vítimas. A agência reguladora classificou o balonismo como uma atividade aerodesportiva de alto risco. O balão envolvido no acidente tinha capacidade para transportar até 1.950 quilos.

As investigações estão em andamento. O delegado-geral da Polícia Civil de Santa Catarina ressaltou que a fiscalização do setor é de responsabilidade da ANAC, que autoriza a operação, o registro dos balões e a habilitação dos pilotos. Paralelamente, as autoridades locais avaliam a criação de um protocolo de segurança específico para a prática do balonismo no estado. Os corpos de sete vítimas foram sepultados neste domingo (22). Para os sobreviventes, o sentimento é ambivalente: alívio por terem escapado da morte, mas também dor pela perda de amigos e familiares. Este trágico evento levanta sérias questões sobre a segurança e a regulamentação do balonismo, atividade que atrai turistas para a região, mas que se revelou ter riscos consideráveis.

Podcasts relacionados ao tema:

  • Isso É Fantástico: Grandes reportagens e investigações jornalísticas.
  • Prazer, Renata: Conteúdo variado com Renata Lo Prete.
  • Bichos Na Escuta: Informações e curiosidades sobre o mundo animal.
Inscrever-se
Notificar de
guest
0 Comentários
Mais votado
mais recentes mais antigos
Feedbacks embutidos
Ver todos os comentários

Seja um reporter BRConnect

weather icon

0
Adoraria saber sua opinião, comente.x