A Polícia Federal deflagrou a Operação Caixa Preta, que investiga um suposto esquema de compra de votos nas eleições municipais de Roraima. A investigação levou ao presidente da CBF, Samir Xaud, após a apreensão de R$ 500 mil com o empresário Renildo Lima, marido de uma deputada federal. A operação cumpriu mandados em Roraima e no Rio de Janeiro.
Créditos: G1
A Polícia Federal (PF) iniciou uma investigação que tem como alvo o presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Samir Xaud, em decorrência da apreensão de R$ 500 mil com o empresário Renildo Lima, durante o período eleitoral de 2024. O caso ganhou notoriedade devido ao fato de parte do dinheiro ter sido encontrada escondida na cueca do empresário. Renildo Lima é casado com a deputada federal Helena da Asatur (MDB), e ambos foram alvos da Operação Caixa Preta, deflagrada na última quarta-feira (30). A operação tem como objetivo apurar a suposta compra de votos nas eleições municipais de 2024, em Roraima. Mandados de busca e apreensão foram cumpridos tanto no estado de Roraima quanto no Rio de Janeiro.
As autoridades federais ainda não esclareceram qual a ligação direta entre Samir Xaud e os demais alvos da operação, nem como o dinheiro apreendido com Renildo Lima se encaixa no contexto da investigação. Contudo, o fato de Samir e Helena serem do mesmo partido (MDB) e pertencerem ao mesmo grupo político em Roraima levantou suspeitas. É importante ressaltar que o atual presidente da CBF já havia se candidatado a deputado federal pelo MDB em 2022, porém, foi eleito apenas como suplente, não chegando a assumir o cargo.
Em resposta à operação, a CBF emitiu uma nota oficial informando que recebeu os agentes da PF em sua sede e ressaltou que a operação ‘não tem qualquer relação com a CBF ou o futebol brasileiro’. A entidade também afirmou que o presidente Samir Xaud ‘não é o centro das apurações’. A deputada federal Helena da Asatur também se manifestou, declarando ter sido ‘surpreendida pela notícia’ e esclarecendo que ‘jamais foi notificada a prestar esclarecimentos às autoridades competentes’. O portal de notícias G1 procurou Samir Xaud e Renildo Lima para obter seus posicionamentos, mas não obteve resposta até o momento da publicação desta reportagem.
O flagrante de Renildo Lima com o dinheiro ocorreu em setembro de 2024, após uma denúncia anônima à PF sobre compra de votos. Além de Renildo, outras cinco pessoas foram presas, incluindo uma advogada e dois policiais militares do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope). Uma fotografia do momento da prisão de Renildo, com o dinheiro visível na região da cintura, dentro da calça, foi amplamente divulgada. A imagem chocou a opinião pública e intensificou as investigações.
Renildo Lima é proprietário da Asatur, uma empresa de transporte intermunicipal, e da Voare, empresa de táxi aéreo que possui contrato com o Ministério da Saúde para a realização de voos à Terra Indígena Yanomami. Essa ligação com o setor de saúde também está sendo analisada pelas autoridades. Além de Renildo, o superintendente do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) em Roraima, Igo Brasil, também foi alvo da Operação Caixa Preta. Ao todo, foram cumpridos seis mandados de busca e apreensão na operação.
Samir Xaud foi eleito o 8º presidente da CBF em maio deste ano, sendo o mais jovem a ocupar o cargo, aos 41 anos. Nascido em Boa Vista, Samir é médico de formação e esta é sua primeira experiência de liderança administrativa no futebol. Seu pai, Zeca Xaud, é presidente da Federação Roraimense de Futebol desde 1975. Maria Helena Teixeira Lima, 48 anos, é natural de Tocantins, mas cresceu em São João da Baliza. Está em seu primeiro mandato como deputada federal. Nas eleições de 2022, foi eleita com 15.848 votos, sendo a segunda mais votada e a única mulher de Roraima na Câmara dos Deputados. Helena da Asatur é uma das principais empresárias do ramo de transportes em Roraima, além de ser formada em Ciências Biológicas pela Universidade Federal de Roraima (UFRR). Em 2022, declarou R$ 10 milhões em bens ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
A Asatur, empresa da família de Helena, é uma das mais tradicionais em Roraima, especializada na rota entre Boa Vista e Manaus, no Amazonas, pela BR-174. Criada em 2001, é uma empresa irmã da Asatur Turismo. Além disso, presta serviços como fretamento e locação de veículos. A empresa é avaliada em R$ 11,1 milhões e tem Renildo Lima, marido de Helena, como sócio majoritário, função que divide com uma filha do casal. O site da empresa informa que há 10 agências espalhadas por Roraima. A família também é proprietária da Voare Táxi Aéreo, a única empresa de táxi aéreo privado do estado. Igo Brasil, natural de Boa Vista, é formado em Direito pela Faculdade Estácio da Amazônia. Já atuou como escrivão da Polícia Civil, soldado do Corpo de Bombeiros, superintendente da Polícia Rodoviária Federal (PRF) em Roraima e presidente do Departamento de Trânsito de Roraima (Detran-RR) em 2018. Desde maio de 2023, é superintendente do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) no estado.




