João Pedro Domingues enfrentou uma longa e árdua jornada hospitalar após ser internado para tratar uma pancreatite aguda. Durante dois anos e um mês, ele passou por múltiplas cirurgias, complicações, desnutrição e a privação de alimentos. Com resiliência e o apoio da equipe médica, ele superou os desafios e hoje leva uma vida normal.
A história de João Pedro Domingues, um jornalista de 35 anos, é um relato de resiliência e superação. O que começou como uma internação para tratar uma pancreatite aguda transformou-se em uma batalha de dois anos e um mês dentro de um hospital no Rio de Janeiro. Em dezembro de 2015, João Pedro procurou atendimento médico após sentir fortes dores abdominais e náuseas. Diagnosticado com pancreatite aguda, ele iniciou o tratamento padrão com dieta zero e nutrição enteral. Contudo, a resposta ao tratamento não foi a esperada, levando a equipe médica a optar por uma intervenção cirúrgica para remover áreas necrosadas do pâncreas.
A cirurgia inicial foi bem-sucedida no tratamento da pancreatite, e a alta parecia iminente. No entanto, complicações pós-operatórias, incluindo infecções abdominais, prolongaram a internação e exigiram múltiplas cirurgias adicionais. Ao todo, João Pedro passou por 18 procedimentos cirúrgicos para controlar as infecções e complicações que surgiram. Um dos procedimentos realizados foi a peritoneostomia, uma técnica que mantém a cavidade abdominal aberta para facilitar o controle de infecções e permitir manipulações adicionais na área. Durante esse período, foi descoberta uma fístula intestinal, o que comprometia a absorção de nutrientes e levou a um quadro grave de desnutrição e perda de peso.
Para suprir as necessidades nutricionais de João Pedro, a equipe médica recorreu à nutrição enteral e parenteral. A nutrição enteral, administrada através de uma sonda, e a nutrição parenteral, diretamente na veia, foram essenciais para mantê-lo nutrido e hidratado durante o período em que ele não pôde se alimentar normalmente. João Pedro relata que um dos momentos mais difíceis foi o período em que ficou impossibilitado de comer ou beber água. A privação do paladar e a simples visão ou cheiro de alimentos despertavam a fome e a sede, tornando o tratamento ainda mais desafiador.
A longa internação impactou a vida de João Pedro de diversas formas. Ele precisou interromper seus estudos na faculdade de jornalismo e adaptar-se a uma nova realidade. A situação também afetou sua saúde mental, mas ele procurou manter uma atitude positiva, concentrando-se na evolução do quadro clínico e recebendo o apoio da família, amigos e equipe médica. Durante a internação, João Pedro encontrou formas de se distrair e manter a mente ocupada. Ele assistiu a séries, leu livros, jogou videogame e até realizou alguns trabalhos freelancers. Essas atividades o ajudaram a lidar com o tédio e a ansiedade.
Em 2018, após a estabilização do quadro clínico, João Pedro passou por uma cirurgia de reconstrução do trânsito intestinal, o que permitiu que ele voltasse a se alimentar normalmente e a absorver os nutrientes de forma adequada. Finalmente, ele recebeu alta e pôde retornar para casa. Atualmente, sete anos após a longa internação, João Pedro leva uma vida normal e não apresenta sequelas. Ele adotou hábitos mais saudáveis, como a prática de natação, e concluiu a faculdade de jornalismo. Sua mensagem para aqueles que enfrentam doenças crônicas ou com prognóstico ruim é buscar conhecimento sobre a condição, confiar nas pessoas e trabalhar em parceria com a equipe médica para alcançar a recuperação e o bem-estar.
Nutrição Enteral e Parenteral: Uma visão Detalhada
- Nutrição Enteral: Administrada através de uma sonda que leva os nutrientes diretamente ao estômago ou intestino, a nutrição enteral é indicada para pacientes com dificuldades de deglutição, problemas de absorção de nutrientes ou que necessitam de um suporte nutricional temporário.
- Nutrição Parenteral: A nutrição parenteral, por sua vez, fornece os nutrientes diretamente na corrente sanguínea, sem passar pelo sistema digestivo. É utilizada em casos de cirurgias complexas, infecções graves ou doenças intestinais que impedem a absorção adequada dos alimentos.
Lenita Borba, especialista em terapia nutricional enteral e parenteral, ressalta a importância do apoio emocional durante o tratamento. A privação do paladar e a impossibilidade de compartilhar refeições podem gerar tristeza e isolamento. O suporte da família, amigos e psicólogos é fundamental para o bem-estar do paciente.




