Créditos : Agência Brasil
O Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, enfatizou a necessidade de formulação de estratégias financeiras e conceituais originais para enfrentar o persistente problema do déficit habitacional no Brasil. A declaração foi feita durante a abertura do 100º Encontro Internacional da Indústria da Construção (Enic), realizado em São Paulo (SP). Lula destacou que o déficit habitacional, estimado em 7 milhões de moradias, permanece inalterado há mais de cinco décadas, indicando a ineficácia das medidas adotadas até o momento. “Estamos enxugando gelo”, afirmou o presidente, ressaltando a urgência de abordagens mais eficazes.
O presidente defendeu a criação de novos mecanismos financeiros e a busca por soluções inovadoras para superar o déficit habitacional, que persiste apesar dos esforços do programa Minha Casa, Minha Vida. “É preciso criar mais dinheiro, inventar mais fundo, inventar mais alguma coisa, porque nós precisamos resolver o déficit habitacional. Ainda tem muita palafita nesse país”, reforçou. Lula expressou sua preocupação com a situação da comunidade do Dique da Vila Gilda, em Santos, considerada a maior favela de palafitas do Brasil. Ele classificou a existência de palafitas em um estado rico como São Paulo como uma vergonha.
Em seu discurso aos empresários da construção civil, Lula enfatizou o potencial do setor para contribuir com o desenvolvimento do país, mencionando o avanço do conhecimento científico e tecnológico. Na semana anterior, o governo anunciou a expansão do programa Minha Casa, Minha Vida para atender famílias de classe média com renda de até R$ 12 mil, com recursos de R$ 30 bilhões. O presidente reafirmou o compromisso do governo em garantir estabilidade política, jurídica, social e econômica, oferecendo previsibilidade para os investimentos do setor privado. Lula também apelou para uma parceria entre o governo e a sociedade, baseada na honestidade e na transparência.
O presidente da CBIC, Renato Correia, elogiou a criação da Faixa 4 do Minha Casa, Minha Vida e agradeceu o presidente Lula pelo compromisso de garantir recursos para a construção. Correia também defendeu a necessidade de fontes recorrentes de recursos para a habitação e pediu apoio para evitar a contratação de serviços de engenharia por pregão eletrônico, além de solicitar a fixação de prazos de pagamento pela administração pública. Correia também alertou para o impacto da alta taxa de juros (Selic) sobre a indústria da construção, defendendo uma reforma administrativa que fomente a eficiência da administração pública. Atualmente, a Selic está definida em 14,25% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central.



