O Ministério Público de São Paulo investiga o uso de cartões corporativos do Corinthians durante as gestões de Andrés Sanchez e Duílio Monteiro Alves, após denúncias de gastos indevidos. O clube e Duílio apoiam a investigação, enquanto Andrés Sanchez ainda não se manifestou.
O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) deu início a uma investigação para apurar possíveis irregularidades no uso do cartão corporativo do Sport Club Corinthians Paulista durante as administrações de Andrés Sanchez (2018-2020) e Duílio Monteiro Alves (2021-2023). A investigação visa esclarecer se houve desvio de finalidade nos gastos efetuados com o cartão da instituição.
A abertura do processo investigativo, conduzida pelo promotor de justiça Cassio Roberto Conserino, marca um novo capítulo nas discussões sobre a gestão financeira do clube. Conserino determinou o envio de um ofício ao Corinthians, solicitando informações detalhadas sobre o funcionamento dos cartões corporativos e as normas que regem seu uso, bem como a identificação dos responsáveis autorizados a utilizá-los. Adicionalmente, foram agendadas oitivas online com figuras-chave da administração corintiana: Osmar Stabile, atual presidente interino; Armando Mendonça, vice-presidente; e Romeu Tuma Júnior, presidente do Conselho Deliberativo. As oitivas estão programadas para a próxima quarta-feira, e nelas, os investigados deverão prestar esclarecimentos sobre o caso.
A utilização do cartão corporativo já havia gerado controvérsia no início de julho, quando o Corinthians cobrou de Andrés Sanchez o ressarcimento de R$ 9.416, referentes a despesas realizadas há cinco anos. Sanchez se prontificou a devolver o montante, minimizando o ocorrido e classificando-o como um erro administrativo. Em sua defesa, o ex-presidente afirmou que não tinha intenção de lesar o clube e que o valor seria reembolsado com juros e correção monetária.
No mesmo mês, novas denúncias vieram à tona, desta vez relacionadas a supostos gastos da gestão de Duílio Monteiro Alves. Uma lista divulgada pelo portal ge apontava para despesas superiores a R$ 86 mil, incluindo itens como cerveja e medicamentos para disfunção erétil. Duílio negou as acusações, classificando-as como uma tentativa de desviar a atenção de outros assuntos. Ele afirmou que as notas fiscais apresentadas não condizem com a realidade e que nunca teve acesso a tais documentos.
Diante das acusações, tanto o Corinthians quanto os ex-presidentes se manifestaram. O clube expressou satisfação com a abertura da investigação pelo Ministério Público, reiterando seu compromisso com a transparência e a responsabilização. Em nota oficial, o Corinthians afirmou que apoiará toda iniciativa que vise elucidar eventuais irregularidades e proteger o patrimônio da instituição.
Duílio Monteiro Alves também se manifestou, afirmando que a investigação é oportuna e salutar. Ele ressaltou que foi o primeiro a solicitar acesso aos documentos para prestar esclarecimentos e que ingressou com representações tanto no Conselho Deliberativo do Corinthians quanto na delegacia do DRADE. O ex-presidente reafirmou seu compromisso com a ética e o respeito às instituições, colocando-se à disposição das autoridades para colaborar com as investigações.
Até o momento, Andrés Sanchez não se pronunciou sobre a abertura da investigação. A reportagem do UOL permanece em contato com o ex-presidente e atualizará a matéria caso haja resposta.




