
Após mais de um século de mistério, o paradeiro do navio Western Reserve, que afundou em 1892, foi finalmente descoberto por pesquisadores da Great Lakes Shipwreck Historical Society (GLSHS). A tragédia, que vitimou 27 das 28 pessoas a bordo, teve seus destroços localizados no Lago Superior, a 96 quilômetros da costa de Michigan.
A descoberta é o resultado de uma busca persistente que se estendeu por mais de dois anos. Utilizando um sonar de varredura lateral, a equipe conseguiu identificar os restos da embarcação no fundo do lago. Imagens detalhadas foram obtidas por meio de um ROV (veículo operado remotamente), confirmando que se tratava do Western Reserve, partido em duas partes.
Darryl Ertel, diretor de Operações Marítimas da GLSHS, descreveu o momento da descoberta: “[Analisamos] o topo do navio e vimos que ele tinha escotilhas de carga, e parecia que estava quebrado em dois, uma metade em cima da outra. Cada metade medida com a varredura lateral tinha 45 metros de comprimento. Então medimos a largura e estava certo [em relação ao tamanho já conhecido do navio]. Então sabíamos que havíamos encontrado o Western Reserve”.
Apesar do tempo submerso, algumas partes do navio permanecem em bom estado de conservação, incluindo o sino e uma luz de embarcação, esta última considerada uma evidência crucial para a identificação, já que uma luz semelhante já havia sido recuperada anteriormente. O Western Reserve pertencia ao magnata da navegação Capitão Peter G. Minch, que estava a bordo com sua família para um cruzeiro de verão. A embarcação, considerada uma das mais seguras da época, sucumbiu a um forte vendaval no Lago Superior. Os passageiros e tripulantes tentaram escapar em botes salva-vidas, mas a violência da tempestade causou o naufrágio dos botes e a perda de quase todos a bordo.
O trágico evento é narrado no site da GLSHS: “Em dez minutos, o grande navio desapareceu, deixando um bote salva-vidas com a família Minch e a tripulação restante a bordo. Eles ficariam no vendaval e na escuridão pelas próximas dez horas”. Apenas Harry W. Stewart, o timoneiro, sobreviveu à tragédia. O Western Reserve, um dos primeiros navios totalmente de aço a navegar nos Grandes Lagos, era conhecido por sua velocidade e apelidado de “o galgo do interior”. Sua história serve como um lembrete dos perigos inerentes à navegação no Lago Superior, onde se estima que pelo menos 200 navios tenham afundado na Baía de Whitefish.
Bruce Lynn, diretor-executivo da GLSHS, comentou: “É difícil imaginar que o capitão Peter G. Minch teria previsto qualquer problema quando convidou a família a bordo do Western Reserve para um cruzeiro de verão pelos lagos. Isso só reforça o quão perigosos os Grandes Lagos podem ser… em qualquer época do ano”. O Lago Superior, o maior dos Grandes Lagos, é conhecido por suas águas frias e profundas, representando um desafio constante para a navegação.




