Novas regras de importação de veículos: impacto e reações na indústria automotiva

A nova deliberação da Camex sobre alíquotas de importação de veículos gerou reações diversas na indústria automotiva. BYD expressou descontentamento, enquanto Volkswagen e Anfavea celebraram a previsibilidade. GWM demonstrou satisfação com sua estratégia de produção local. A medida pode conter aumentos de preços a curto prazo, mas pressiona a nacionalização da produção a médio prazo.

Reação sobre as novas regras de importação de veículos

A recente deliberação da Câmara de Comércio Exterior (Camex) sobre as alíquotas de importação de veículos gerou reações diversas entre as montadoras. Enquanto algumas, como a BYD, expressaram descontentamento, outras, como a Volkswagen e as empresas associadas à Anfavea, manifestaram alívio e expectativa de maior previsibilidade. A GWM, por sua vez, demonstrou satisfação, embora por razões distintas.

A decisão da Camex estabelece um período de seis meses para a importação de veículos desmontados (SKD e CKD) com alíquota zero, limitado a um teto de US$ 463 milhões para todo o mercado. Após esse período, as importações estarão sujeitas à alíquota integral de 35%, com um cronograma que se antecipa para janeiro de 2027. Para veículos prontos (CBU), o cronograma de aumento progressivo da alíquota foi mantido até julho de 2026. Essa solução intermediária buscou, segundo especialistas, equilibrar os interesses de diferentes partes.

A BYD havia defendido uma redução mais ampla e duradoura dos impostos para os kits desmontados utilizados em sua operação em Camaçari (BA). Embora a montadora tenha obtido um período de seis meses para importar com alíquota zero, o prazo é inferior ao que desejava. Em comunicado anterior à reunião, a BYD destacou sua proposta de oferecer veículos mais limpos, seguros e acessíveis à classe média brasileira. A empresa não se pronunciou após a decisão da Camex.

Em contraste com a BYD, a GWM manifestou satisfação, pois sua operação está estruturada com foco na produção local e na importação de peças no modelo ‘parts by parts’, que não se enquadra nas regras de SKD ou CKD. A deliberação da Camex não deverá impactar os planos da empresa em Iracemápolis (SP). Ricardo Bastos, diretor institucional da GWM Brasil, afirmou que a produção seguirá o sistema de peça por peça, com conteúdo nacional desde o primeiro ano. A manutenção do cronograma de aumento gradual da alíquota para veículos prontos também foi vista como positiva.

Montadoras tradicionais, como a Volkswagen, também celebraram a decisão. Ciro Possobom, presidente da Volkswagen do Brasil, enfatizou a importância de regras claras e estáveis para justificar investimentos de longo prazo. A previsibilidade proporcionada pela decisão da Camex traz segurança jurídica para a empresa, que já anunciou investimentos de R$ 20 bilhões até 2028 na América do Sul. A Volkswagen continuará apostando na produção local com alta nacionalização (85% no Brasil), com gastos de R$ 26,3 bilhões em compra de peças no país em 2025.

Em resposta à provocação da BYD, que chamou as montadoras tradicionais de ‘dinossauros’, Ciro Possobom defendeu a tecnologia da Volkswagen e sua adaptação à realidade brasileira. Ele ressaltou a importância de democratizar o acesso à tecnologia, oferecendo carros acessíveis, seguros e com bom valor de revenda. O executivo destacou que a tecnologia vai além de chips, abrangendo aspectos como frenagem, airbags, curvas e economia de combustível.

A Anfavea também comemorou a decisão e pediu o encerramento do debate. O presidente da entidade, Igor Calvet, afirmou que novos entrantes serão bem-vindos, desde que de forma justa e competitiva.

A curto prazo, a medida pode conter aumentos de preços nos modelos mais acessíveis de elétricos e híbridos importados. No entanto, o mercado deverá se adaptar, com montadoras com produção nacional ampliando sua oferta local e importadoras buscando internalizar parte de sua cadeia produtiva. Especialistas avaliam que o Brasil continua sendo um mercado interessante para empresas chinesas, mesmo com taxas de importação de 35%, devido às barreiras fiscais maiores em outros mercados. A médio prazo, a decisão pressiona a indústria a acelerar a nacionalização, o que pode gerar mais empregos, transferência de tecnologia e uma cadeia produtiva mais robusta.

Inscrever-se
Notificar de
guest
0 Comentários
Mais votado
mais recentes mais antigos
Feedbacks embutidos
Ver todos os comentários

Seja um reporter BRConnect

weather icon

0
Adoraria saber sua opinião, comente.x