A mais recente adaptação de ‘Quarteto Fantástico’ para os cinemas destaca-se pelo elenco talentoso e visuais impressionantes, embora a narrativa careça de profundidade.

Créditos : G1
Após múltiplas tentativas cinematográficas, o ‘Quarteto Fantástico’ finalmente encontra uma versão que faz jus à sua reputação nos quadrinhos. ‘Quarteto Fantástico: Primeiros Passos’ resgata o fascínio e a escala épica que faltavam nas adaptações anteriores, impulsionado por um elenco escolhido a dedo. Contudo, apesar dos esforços, o resultado final carece de um impacto verdadeiramente memorável.
A nova produção, supervisionada pela própria Marvel, assemelha-se a um hambúrguer gourmet de uma rede de fast food renomada. Os ingredientes são de qualidade superior, e a preparação demonstra cuidado, mas, em essência, permanece sendo uma experiência de consumo rápido. A satisfação é momentânea, e a lembrança se esvai rapidamente.
‘Primeiros Passos’ marca a estreia do Quarteto Fantástico no Universo Cinematográfico da Marvel, mas não se trata de uma história de origem convencional. O roteiro, resultado da colaboração de cinco roteiristas, apresenta uma equipe já estabelecida e aclamada, inserida em uma realidade paralela ao universo principal do MCU. Assim, eles não coexistem com os demais heróis icônicos como Capitão América e Homem-Aranha.
A formação da equipe permanece fiel às versões anteriores, composta por Sr. Fantástico (interpretado por Pedro Pascal), Mulher Invisível (Vanessa Kirby), Tocha Humana (Joseph Quinn) e Coisa (Ebon Moss-Bachrach). A trama os coloca diante de uma ameaça cósmica iminente, um ser colossal devorador de planetas (Ralph Ineson) e sua mensageira prateada (Julia Garner), que perturbam a paz da equipe.
A revitalização visual, que remete à estética retrofuturista dos ‘Jetsons’, com carros voadores e design inspirado nos anos 1960, juntamente com a magnitude cósmica da narrativa, injeta uma dose de deslumbramento que andava em falta nos filmes recentes da Marvel. O MCU não exibia tamanha grandiosidade desde ‘Homem-Aranha: Sem Volta para Casa’ (2021), superando até mesmo os cenários de computação gráfica de ‘Deadpool e Wolverine’ (2024). A qualidade dos efeitos visuais é notável, conferindo dignidade à representação do capacete de Galactus, criado por Jack Kirby.
O elenco se destaca como o mais talentoso e adequado a dar vida aos personagens. Apesar da presença constante de Pascal em diversas produções, ele oferece uma base sólida para que seus colegas brilhem. Quinn e Moss-Bachrach irradiam carisma, enquanto Kirby entrega as duas melhores cenas do filme, tanto em momentos de ação quanto em sequências emocionais.
A excelência técnica e as atuações compensam as sequências mais lentas entre os momentos de ação. A decisão de apresentar um mundo já estabelecido é acertada, evitando uma repetição da história de origem. No entanto, essa abordagem traz desafios próprios. Uma apresentação inicial apressada condensa quatro anos de aventuras em poucos minutos, deixando lacunas até o surgimento da grande ameaça.
A dinâmica entre os protagonistas mantém a energia, embora o tom de sitcom possa não ser o ideal para o 36º capítulo do MCU. No final, a sensação é de que existe um bom conceito, próximo de se concretizar em um filme completo, mas que não atinge todo o seu potencial.
É louvável a natureza autocontida do novo ‘Quarteto Fantástico’, que não se prende diretamente ao restante do Universo Marvel. No entanto, essa escolha pode ser vista como uma medida de precaução, um elemento descartável caso não obtenha sucesso. O filme possui talento suficiente para se firmar como protagonista do enredo integrado do estúdio, assim como já foi nos quadrinhos. A Marvel demonstra que ainda sabe o que faz, mas precisa de mais confiança em seu trabalho.



