Marcelo Cupim, apontado como chefe do jogo ilegal na Zona Norte do Rio, foi preso por suspeita de envolvimento na morte de Haylton Escafura. A operação revelou um esquema de corrupção e a influência de Cupim no submundo do crime.

Em uma operação conjunta, o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), a Polícia Civil e a Corregedoria da Polícia Militar prenderam Marcelo Simões Mesqueu, conhecido como Marcelo Cupim, nesta segunda-feira. Cupim é apontado como um dos principais chefes do jogo ilegal na Zona Norte do Rio de Janeiro. A prisão ocorreu em uma luxuosa mansão situada em um condomínio de alto padrão na Barra da Tijuca. Esta é a segunda vez em menos de dois anos que Cupim é detido. Desta vez, ele é suspeito de envolvimento na morte de Haylton Carlos Gomes Escafura, filho do notório bicheiro José Caruzzo Escafura, apelidado de Piruinha. O crime ocorreu em 2017 e vitimou também Franciene de Souza, namorada de Haylton, que foi encontrada morta na mesma ocasião.
A força-tarefa cumpriu um mandado de prisão preventiva expedido pela 4ª Vara Criminal da Capital contra Cupim, além de 15 mandados de busca e apreensão contra outros seis investigados, incluindo dois policiais militares. As autoridades investigam a extensão do envolvimento de Cupim em atividades criminosas e sua influência no submundo do jogo ilegal.
De acordo com as investigações, Marcelo Cupim possui ligações estreitas com Bernardo Bello, figura proeminente na contravenção carioca. Cupim teria arrendado parte dos pontos de jogo que pertenciam a Piruinha. O conflito surgiu quando Haylton Escafura tentou retomar o controle desses espaços, o que pode ter motivado seu assassinato, conforme aponta o Grupo de Atuação Especializada de Combate ao Crime Organizado (Gaeco/MPRJ). O Gaeco também investiga a possível participação de matadores ligados ao “Escritório do Crime” no homicídio de Haylton. A organização criminosa é conhecida por atuar em diversos crimes de pistolagem e outros delitos graves no estado do Rio de Janeiro.
Em novembro de 2023, Cupim já havia sido preso durante a Operação Fim da Linha, após um período de fuga. Ele foi denunciado por crimes como organização criminosa, corrupção e lavagem de dinheiro, todos relacionados à exploração de jogos de azar. As investigações revelaram um esquema complexo de corrupção e influência no controle do jogo ilegal. Interceptações telefônicas, autorizadas pela Justiça, revelaram que Cupim era frequentemente acionado para impedir o fechamento de estabelecimentos clandestinos que eram alvo de denúncias. Ele utilizava sua influência e contatos para corromper policiais civis e militares, garantindo a continuidade das operações ilegais.
Em uma das conversas, Cupim demonstra seu poder e controle sobre determinada área de Cascadura, afirmando: “A área é minha e pronto, acabou. Só você ver o mapa. Passando a rua, passando lá o nosso local, passando lá no final, pegando à esquerda da linha do trem, eu tenho vários negócios por lá. Então não pode parar ali, certo, naquela rua e depois continuar. Não existe isso”. Essa declaração evidencia a extensão de seus domínios e a forma como ele impõe sua autoridade no submundo do crime.
As investigações continuam para desmantelar completamente a organização criminosa liderada por Marcelo Cupim. As autoridades buscam identificar e responsabilizar todos os envolvidos nos crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e homicídio. A prisão de Cupim representa um duro golpe contra o jogo ilegal no Rio de Janeiro e demonstra o compromisso das autoridades em combater a criminalidade organizada.




