Reajuste anual nos preços de medicamentos se aproxima no Brasil; Conheça estratégias para economizar

Imagem de caixas de medicamentos em uma prateleira
Créditos : UOL VivaBem

Consumidores brasileiros devem preparar o bolso para um iminente aumento nos preços dos medicamentos. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) confirmou que o reajuste anual poderá ser aplicado pelas farmacêuticas a partir da próxima terça-feira. Este procedimento segue um calendário regulatório estabelecido, onde as empresas do setor têm até a segunda-feira anterior para submeter os novos valores propostos à Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED), órgão interministerial responsável por definir o teto do reajuste.

Embora a CMED ainda não tenha oficializado o percentual máximo de aumento para este ciclo, o Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos (Sindusfarma) já projeta um cenário. Com base em cálculos setoriais que consideram fatores como inflação, custos de produção e câmbio, a entidade estima que os reajustes podem variar significativamente, oscilando entre 2,60% e um teto de 5,06%. A média ponderada sugerida pelo sindicato situa-se em 3,48%. É crucial ressaltar que estes são valores estimados pela indústria, aguardando a chancela final do governo.

A dinâmica de precificação no mercado farmacêutico brasileiro é complexa e não uniforme. O percentual de reajuste efetivamente aplicado a cada medicamento pode variar consideravelmente, sendo fortemente influenciado pelo nível de concorrência. Produtos com maior número de fabricantes e alternativas disponíveis no mercado, como é o caso de muitos genéricos e similares cujas patentes já expiraram, tendem a sofrer aumentos menores. A competição acirrada força os laboratórios e farmácias a praticarem preços mais competitivos para atrair o consumidor. Em contrapartida, medicamentos ainda protegidos por patente ou com poucas alternativas terapêuticas podem experimentar reajustes mais próximos do teto autorizado pela CMED, dada a menor pressão competitiva.

É importante compreender que a política de preços estabelecida pela CMED define um limite máximo (teto) para o reajuste, e não um valor fixo. O mercado tem liberdade para praticar preços abaixo desse teto, frequentemente oferecendo descontos significativos. Isso resulta em uma ampla variação nos preços finais encontrados pelos consumidores nas drogarias. Lélio Souza, vice-presidente de Soluções para Prática Médica da Afya, um hub educacional e de soluções para médicos, ilustra essa volatilidade: “Em 2024, por exemplo, identificamos medicamentos que tiveram variações maiores que 300% ao longo do ano. Esse é o caso da Rivaroxabana, um tipo de anticoagulante, que teve seu preço variando em até 359%”, destaca Souza. Essa flutuação reforça a necessidade de pesquisa por parte do consumidor.

Diante deste cenário de aumento iminente, algumas estratégias podem ajudar os consumidores a economizar na compra de seus tratamentos:

  • Opte por Genéricos ou Biossimilares: Sempre que disponíveis e indicados pelo seu médico, os medicamentos genéricos e biossimilares representam uma alternativa segura e mais econômica. Eles possuem a mesma substância ativa, forma farmacêutica, dosagem e indicação terapêutica que o medicamento de referência, com eficácia e segurança comprovadas pela Anvisa, mas costumam ter um custo significativamente menor.
  • Utilize Programas Governamentais: O programa Farmácia Popular do Brasil oferece medicamentos gratuitos ou com descontos substanciais para diversas condições, como hipertensão, diabetes e asma. Além disso, muitas Unidades Básicas de Saúde (UBS) distribuem gratuitamente uma variedade de medicamentos essenciais através do Sistema Único de Saúde (SUS). Verifique a disponibilidade na sua localidade.
  • Compare Preços Rigorosamente: Nunca compre no primeiro estabelecimento. Os preços podem variar muito entre diferentes redes de farmácias, farmácias independentes e até mesmo entre filiais da mesma rede. Utilize aplicativos comparadores de preço ou faça uma pesquisa presencial ou por telefone antes de decidir a compra.
  • Considere Compras em Maior Quantidade (com cautela): Para medicamentos de uso contínuo, algumas farmácias oferecem descontos progressivos na compra de múltiplas unidades (ex: compre 3, pague 2). Avalie se essa opção é vantajosa, sempre verificando o prazo de validade para evitar desperdícios.
  • Aproveite Programas de Fidelidade e Descontos: Muitas farmácias possuem programas de fidelidade que oferecem descontos exclusivos, acúmulo de pontos ou benefícios para clientes cadastrados. Informe-se sobre esses programas e utilize-os sempre que possível. Alguns laboratórios também oferecem programas de desconto direto ao paciente.

Estar ciente do reajuste anual e adotar práticas de consumo conscientes são passos fundamentais para gerenciar os custos com saúde, garantindo a continuidade dos tratamentos necessários sem comprometer excessivamente o orçamento familiar. A pesquisa e a informação continuam sendo as melhores ferramentas para o consumidor neste contexto.

Inscrever-se
Notificar de
guest
0 Comentários
Mais votado
mais recentes mais antigos
Feedbacks embutidos
Ver todos os comentários

Seja um reporter BRConnect

weather icon

0
Adoraria saber sua opinião, comente.x