Sinistros com Supercarros: Por que Seguradoras Optam por Perda Total?

Supercarros sinistrados

Acidentes envolvendo carros de luxo têm gerado grande repercussão, seja pela gravidade dos incidentes ou pelos altos valores dos veículos envolvidos. Em muitos desses casos, a ausência de seguro e a ocorrência de perda total se tornaram cenários comuns.

Superesportivos de marcas renomadas como Ferrari, Lamborghini e Porsche frequentemente ultrapassam a marca de R$ 1 milhão, tornando-se acessíveis apenas a uma pequena parcela da população, especialmente no Brasil. Além do alto custo de aquisição, a manutenção e o reparo desses veículos podem representar um significativo desembolso.

Embora existam seguros para essas máquinas, o alto valor das apólices muitas vezes dissuade os proprietários de investir nessa proteção. Quando um carro de luxo segurado se envolve em um acidente, a probabilidade de a seguradora optar pela indenização integral em vez do conserto é maior em comparação com veículos convencionais, mesmo em situações em que o reparo seria viável.

Leonardo Ianegitz, diretor de operações da Dekra Brasil, explica que veículos importados, cujas peças de reposição e custos de reparo são mais elevados, podem ser mais facilmente classificados como perda total. Um especialista de uma oficina de carros esportivos, que preferiu não se identificar, destaca a baixa disponibilidade de peças, a necessidade de mão de obra especializada e a fragilidade dos componentes como fatores que encarecem os reparos.

A oficina Frison, especializada em carros de luxo e alta performance, ressalta os desafios de consertar esses veículos. Lilian Viana, sócia da oficina, exemplifica que o serviço de funilaria e pintura é mais caro quando a colisão afeta o lado do compartimento do motor. Ela relata um caso de um modelo italiano cujo reparo da dianteira custou R$ 350 mil, sendo R$ 40 mil apenas de mão de obra. Viana também alerta que o mercado de autopeças não acompanha a depreciação dos veículos, mantendo os preços proporcionais aos modelos novos.

Há situações em que o reparo se torna inviável, como no caso de um carro com uma barra metálica do chassi danificada, cuja substituição completa custaria R$ 450 mil. Lilian Viana também comenta que poucos proprietários de carros de luxo fazem seguro, pois a relação custo-benefício não compensa, considerando o uso esporádico dos veículos e a exclusão de cobertura para uso em autódromos. Ela estima que o seguro de um Mercedes-Benz Classe G 2015 com kit Brabus custaria R$ 160 mil, com uma franquia de R$ 110 mil.

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