Técnico da Copa Davis do Brasil apoia João Fonseca: ‘Deixem o garoto jogar’

O preparador físico da equipe brasileira na Copa Davis, Eduardo Faria, elogia o talento de João Fonseca, mas pede paciência e tempo para que o jovem tenista complete seu desenvolvimento no circuito profissional. Faria destaca a importância de não sobrecarregar o atleta com expectativas excessivas e de permitir que ele trabalhe e compita em seu próprio ritmo.

João Fonseca

Eduardo Faria, renomado preparador físico da equipe brasileira na Copa Davis há mais de 15 anos, expressou sua confiança no jovem tenista João Fonseca, afirmando que ele já demonstrou seu valor no circuito profissional. No entanto, Faria enfatiza a necessidade de paciência e tempo para que Fonseca complete seu desenvolvimento pleno. Em suas declarações, Faria ressalta a importância de não sobrecarregar o atleta com expectativas excessivas. ‘É fundamental permitir que o garoto trabalhe e compita em seu próprio ritmo’, disse. Ele adverte contra as oscilações de humor dos torcedores e da mídia, que ora o elevam ao status de gênio, comparando-o a Jannik Sinner, ora questionam seu talento após uma derrota. Faria lembra que as derrotas são parte integrante do processo de aprendizado, especialmente para um jogador jovem que alcançou um sucesso precoce.

Faria recorda seu primeiro contato com Fonseca em 2022, quando o então adolescente atuou como sparring em Portugal. Mesmo com apenas 16 anos, o carioca impressionou a todos com seu talento e dedicação. Desde então, Fonseca passou por um significativo estirão de crescimento, ganhando altura e força física. Faria acredita que o tenista, prestes a completar 19 anos, continuará a evoluir fisicamente, mas enfatiza que cada etapa desse processo deve ser respeitada. O preparador físico destaca a adaptação inevitável que todo jogador juvenil enfrenta ao ingressar no circuito profissional. Partidas mais longas, intensas e exigentes demandam uma adaptação física, técnica, tática e mental. Faria elogia a rápida adaptação de Fonseca, que se refletiu em seus resultados recentes.

Faria e Fonseca têm trabalhado juntos com mais frequência desde a estreia do atleta na Copa Davis. Em setembro de 2024, Fonseca conquistou sua primeira vitória na competição, ocupando então a 158ª posição no ranking mundial. Atualmente, ele se prepara para a próxima disputa do torneio na Grécia, já como o principal tenista do país. O preparador físico ressalta que não existe uma fórmula mágica para acelerar o processo de desenvolvimento. Os resultados virão com o tempo, acompanhados de derrotas que servirão como aprendizado. Faria projeta um prazo de dois anos para que Fonseca esteja totalmente adaptado ao circuito profissional, mas não se arrisca a prever quando o prodígio atingirá seu potencial máximo.

‘É preciso dar tempo ao tempo para que ele compita mais e aprenda a competir melhor’, explica Faria. ‘Ele já subiu de nível, e este ano está sendo um grande teste para ele. Mas é preciso dar mais dois anos para que ele se adapte, conheça todos os seus adversários e imponha seu próprio estilo de jogo. Essa formatação leva tempo e muito trabalho’. Eduardo Faria também rebateu as críticas ao calendário de Fonseca, alertando para o risco de lesões. O tenista não participa de muitos torneios em sequência, e o preparador explica que a equipe do atleta precisa encontrar um equilíbrio para evitar sobrecargas que possam comprometer a temporada.

‘É preciso encontrar um meio-termo’, afirma Faria. ‘Hoje em dia, todos se consideram especialistas em tênis e dão seus palpites, mas é preciso analisar como o corpo dele está respondendo. Ele precisa manter uma intensidade alta, mas isso deve ser feito de forma gradual, pois o maior risco são as lesões. Por isso, ele precisa escolher bem os torneios, treinar e se recuperar adequadamente’. A agenda de João Fonseca voltou a ser questionada após sua eliminação na primeira rodada em Toronto, após um mês de pausa depois de Wimbledon. O tenista estreará no Masters 1000 de Cincinnati.

Faria ressalta que treinadores, fisiologistas e pesquisadores da área do tênis têm se dedicado ao estudo das lesões tendíneas, especialmente as tendinopatias, que estão diretamente ligadas à sobrecarga e à alta repetição de gestos técnicos. Esse tipo de lesão pode exigir de quatro a seis semanas para recuperação, impactando significativamente o planejamento e o desempenho do atleta. Quanto às expectativas sobre Fonseca, Faria defende que é preciso deixar o garoto trabalhar em paz. ‘Ele deve crescer até os 21 ou 22 anos, e a partir daí o trabalho será árduo e contínuo. Mas é preciso pegar mais leve, pois ele está em um caminho muito bom’, conclui.

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