O técnico brasileiro de handebol, Antônio Guerra Peixe, relata sua fuga do Irã durante o conflito com Israel, buscando refúgio na embaixada brasileira e contando com o apoio da federação de handebol para retornar ao Brasil após uma longa jornada de carro até a Armênia.

Em meio à escalada de tensões entre Irã e Israel, o técnico brasileiro de handebol, Antônio Guerra Peixe, de 69 anos, viu-se inesperadamente no epicentro do conflito. No dia 13 de junho, enquanto os primeiros ataques reverberavam, Guerra Peixe aguardava no aeroporto de Teerã, capital iraniana, o embarque para a Tunísia, onde assumiria o comando técnico da seleção iraniana de handebol de praia. Sua estadia no Irã, que se aproximava dos dois meses, transformou-se abruptamente em uma busca urgente por segurança. A situação incerta e o fechamento do espaço aéreo iraniano o impediram de seguir com seus planos originais, forçando-o a procurar alternativas para deixar o país o mais rápido possível.
Após deixar o aeroporto, Antônio encontrou refúgio temporário em um imóvel pertencente à federação de handebol iraniana, entidade que o havia contratado. Dias depois, foi transferido para um hotel em Teerã, conhecido por hospedar estrangeiros, na esperança de que o local oferecesse maior segurança em meio ao clima de instabilidade. Durante esse período, Antônio adotou uma postura cautelosa, evitando ao máximo sair do hotel. Com a persistência do conflito e a incerteza sobre a reabertura do espaço aéreo, ele buscou auxílio junto à Embaixada do Brasil em Teerã, através de um contato iraniano que já havia prestado serviços à representação diplomática.
No dia 20, Antônio conseguiu abrigo nas instalações da embaixada brasileira. Contudo, segundo o técnico, a representação diplomática não dispunha de recursos para providenciar sua saída do Irã. Ele também relatou a presença de outro brasileiro buscando refúgio no mesmo local. O Itamaraty, questionado sobre o número de brasileiros que buscaram ou permanecem abrigados na embaixada em Teerã, não forneceu informações precisas, mas assegurou que está prestando apoio aos cerca de 200 cidadãos brasileiros residentes no país.
Vale ressaltar que o Brasil está sem embaixador no Irã desde janeiro de 2025. A indicação de André Veras Guimarães foi aprovada pelo Senado em abril, mas sua posse aguarda a normalização da situação e a reabertura do espaço aéreo iraniano, conforme informações do Itamaraty.
A solução para a saída de Antônio do Irã surgiu através da federação de handebol, que organizou uma viagem de carro até Erevan, capital da Armênia, país vizinho. A jornada exaustiva, com duração superior a 20 horas, teve início no sábado (21) e término na segunda-feira (23), com passagens por diversos postos de controle. “Tudo foi minuciosamente verificado: passaporte, visto, bagagens”, relatou Antônio, destacando o rigor das autoridades durante a travessia da fronteira. Já em solo armênio, Antônio e Silvio, outro brasileiro que o acompanhava, receberam assistência da Embaixada do Brasil em Erevan.
Antônio agora aguarda o voo da Qatar Airways que o levará de volta a São Paulo, com chegada prevista para a tarde desta terça-feira (24). A passagem aérea foi custeada pela federação iraniana de handebol.




